Planeta Médico
A maioria dos medicamentos funciona ao se ligar a um receptor ou a outra molécula nas células, provocando uma alteração bioquímica. Mas acabam também por se ligar a muitos outros receptores, produzindo assim os efeitos colaterais que só aparecem depois que são realizados testes em animais ou pessoas.
Pensando sobre como prever esses alvos indesejados, Brian Shoichet, um químico computacional da Universidade da Califórnia e colegas raciocinaram que, se a forma de uma droga se assemelha a de uma outra molécula conhecida por se ligar a um determinado alvo, então, a droga em questão pode se ligar também àquele alvo.
Alvos em potencial
Usando dados publicados das interações entre as moléculas pequenas, ou "ligantes", e alvos em potencial, eles usaram um software para procurar semelhanças na estrutura química entre as moléculas ligantes e 3.665 medicamentos em uso ou em desenvolvimento. Isto resultou em uma lista de cerca de 4.000 alvos potenciais até então desconhecidos.
Alguns desses novos alvos poderiam explicar efeitos colaterias conhecidos. O software previu que a droga antináuseas domperidona também se liga a um receptor que contribui para a arritmia cardíaca - um dos efeitos colaterais da droga. Outros apontam para novos usos: o anti-histamínico mebhydrolin pode bloquear um receptor envolvido na doença de Alzheimer.
Experiências ainda são necessárias para provar que essas drogas realmente se ligam aos alvos previstos, e que isso gera um efeito biológico.
“A abordagem fornece uma maneira de identificar potenciais alvos, e pode ajudar os cientistas a desenvolverem drogas que atinjam vários alvos ao mesmo tempo, disse à New Scientist, Andrew Hopkins, um farmacologista da Universidade de Dundee, no Reino Unido. "Muitas vezes por não serem seletivas que as drogas exercem seus efeitos."
Jornal de referência: Nature, DOI: 10.1038/nature08506