Política e Economia - Zé Márcio Mendonça
José Márcio Mendonça
Cabeças eleitorais, meias medidas

 A semana capenga por conta do feriado de ontem, reserva os maiores debates para o campo econômico – os desarranjos nas contas do governo, cruamente reveladas pelos dados de setembro divulgados quinta e sexta feiras, e as discussões sobre o câmbio.

 
Na política, segue em ritmo cada vez mais alucinado a campanha eleitoral, com o governo cada vez mais solto, mas desinibido e a oposição com sua crise existencial. A agenda de Lula, segundo avaliações preliminares, reserva apenas seis dias úteis para Brasília. O mesmo deve valer para Dilma. Haja obras.
 
Para a oposição, além da indefinição e desacertos – Aécio cobra, DEM cobra – a semana pode reservar outro dissabor: o ministro Joaquim Barbosa relata e seus colegas de Supremo Tribunal Federal (STF) decidem se aceitam a denúncia sobre o mensalão mineiro do ex-governador e atual senador Eduardo Azeredo, precurssor do mensalão federal do PT.
 
Pelo precedente do STF no caso envolvendo o ex-ministro José Dirceu e seus 39 companheiros, a tendência é que a denúncia seja aceita, igualando governo e oposição neste item na campanha do ano que vem.
 
Na economia, teremos a medida real das preocupações dos agentes econômicos com a acelerada deterioração das contas públicas, especialmente as federais. A primeira impressão colhida, na corrida pelo feriado, é a de que não há risco no curto prazo, porém não dá para esperar muito tempo para corrigir os defeitos.
 
Esta não é, porém, a visão do mundo oficial e político. O governo não aparenta estar assustado e menos ainda dá sinais de estar preparando um arsenal de medidas, de qualquer extensão, para conter seus gastos. Confia quase que inteiramente na recuperação da arrecadação com a retomada da economia.
 
O Congresso se assusta menos ainda. Prepara-se para aprovar um Orçamento para 2010, como já comentamos na semana passada, com previsões de receitas totalmente inviáveis se não tivermos um novo “milagre econômico” em 2010. Tudo para justificar imensas despesas. E a maior parte não é para investimentos.
 
Há, provavelmente, uma bomba de efeito retardado para ser jogada no colo do sucessor de Lula.
 
Quanto ao real valorizado, o Banco Central pode ser levado se mexer mais, depois de cobrado pelo Ministério da Fazenda. Balões de ensaio já começaram a ser lançados, com a idéia de permitir depósitos em moeda estrangeira no país, apoio aos exportadores e que tais. 
 
Serão sempre paliativos, meias medidas que melhoram de um lado e complicam de outro, com a taxação dos investimentos recém aplicada. A solução real passa pelo aumento da competitividade geral da economia brasileira. Mas isso é complicado demais para cabeças essencialmente eleitorais.
 
DA SÉRIE `A CULPA NÃO É DO TCU`
 
Deu na “Folha” de sábado:
 
“Quatro anos e 11 meses depois de sancionada a lei, que foi apresentada à época como essencial para garantir investimentos em infraestrutura, o governo federal lançará, na semana que vem, o edital da primeira PPP (parceria público-privada).
 
A parceria entre companhias privadas e o governo é uma nova modalidade de licitação de obras públicas, já utilizada em vários países, como Reino Unido e Portugal. A principal característica dessas obras é que o retorno financeiro geralmente não é suficiente para garantir o interesse do setor privado. Dessa forma, o governo garante um rendimento mínimo para o investidor e pode até usar dinheiro do Orçamento a fim de complementar essa receita.Lula, os aliados e a imprensa.”
 
DA SÉRIE `A CULPA NÃO É DO TCU` - 2
 
Deu no “Globo” de domingo: 
 
“Pelo menos R$ 460 milhões destinados pelo governo federal para construção e reforma de presídios estão parados nas contas de 24 estados e do Distrito Federal. Há verbas paradas desde 2004. O Brasil tem déficit 2004. O Brasil tem déficit de 170 mil vagas no sistema prisional.”
 
MAS O GOVERNO NÃO DESISTE
 
O presidente Lula continua disposto a criar uma câmara técnica para fiscalizar as obras oficiais, “mas com critérios” segundo o ministro Paulo Bernardo. É nesses tais de critérios que mora o perigo.
 
QUEM É DE ‘DE FACTO’ O CARA
 
Depois de assinar o acordo militar com a Colômbia, sem as ameaças e chiadeiras iniciais de outros países da América Latina e enquadrar Micheletti e Zelaya em Honduras, Barack Obama mostrou quem é “o caro” no jogo diplomático e de poder. Liderança não se faz apenas com discursos.
 
 
 
 
 
 
 

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